Economia do País acelera e PIB cresce 1,3% no primeiro trimestre

 

Motivada pelos investimentos, a economia voltou a crescer com força no começo deste ano, de acordo com pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,3% no primeiro trimestre deste ano em relação aos últimos três meses de 2010. No último trimestre do ano passado, o conjunto de riquezas produzidas no País tinha aumentado 0,8%, após alta de 0,4% registrada entre julho e setembro.

No primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2010, o PIB cresceu 4,2%. Nos últimos doze meses, o crescimento foi de 6,2%. Em valores correntes, o resultado alcançou R$ 939,6 bilhões no primeiro trimestre.

Pela ótica de quem compra dentro da economia, o investimento foi o item que mais cresceu no PIB de janeiro a março. Com alta de 1,2% entre um trimestre e outro, os investimento medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo aumentaram mais que o consumo das famílias (0,6%) e o consumo do governo (0,8%). A encomenda de máquinas e equipamentos para produção e o aquecido mercado imobiliário estimularam os investimentos.

"O aumento dos juros ainda não foi repassado para a economia, não atrapalhou os investimentos", afirma a coordenadora de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.

Pelo lado de quem vende, a indústria foi o setor da economia que mais contribuiu para o crescimento entre um trimestre e outro. O aumento de 2,2% de janeiro a março foi impulsionado principalmente pela indústria de transformação e pela construção civil.

O setor de serviços, que responde por mais de 67% do PIB, avançou 1,1%, refletindo o aquecimento nas vendas do comércio e do segmento de transporte. Já a agropecuária, com participação de apenas 5,8% do PIB, foi o setor que mais cresceu, com alta de 3,3% entre janeiro e março na comparação com os últimos três meses do ano passado.

Especialistas esperavam um crescimento econômico da ordem de 1,2% de um trimestre para o outro. O Bradesco aguardava um PIB cerca de 1,2% maior, enquanto o Banco Fator, 1,1%. Já a consultoria Rosenberg e Associados projetou um aumento de 1,6% do PIB nesta comparação.

Base de comparação
Apesar da reação entre janeiro e março em relação aos últimos três meses de 2010, a economia brasileira desacelerou quando comparada ao primeiro trimestre do ano passado. Naquele momento, o País se recuperava da crise financeira internacional com taxas robustas. De janeiro a março, o PIB cresceu 4,2% em relação ao mesmo período de 2010. De outubro a dezembro, o avanço, na mesma comparação, foi de 5%.

"De fato houve uma desaceleração, muito relacionada ao fato de a base de comparação do primeiro trimestre de 2010 ter sido muito elevada", afirma Rebeca Palis.

No primeiro trimestre de 2010, o Brasil cresceu 9,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. No trimestre seguinte, o avanço continuou neste patamar, com alta de 9,2%. Nos trimestres seguintes, o PIB avançou menos (6,7% e 5%, no terceiro e quarto trimestres), mas as taxas são mais elevadas que a registrada no começo de 2011. A taxa dos últimos doze meses também recuou, de 7,5% para 6,2%.

Banco Central
Em nota, o Banco Central afirmou que o crescimento de 4,2% do PIB no primeiro trimestre deste ano, em relação ao primeiro trimestre de 2010, "confirma que a economia brasileira se encontra em um ciclo sustentado de expansão, em ritmo mais condizente com o equilíbrio interno e externo".

De acordo com a autoridade monetária, a demanda doméstica continua sendo o grande suporte da economia, com o consumo das famílias registrando crescimento de 5,9%, em relação ao primeiro trimestre de 2010, marcando a trigésima variação positiva consecutiva nessa base de comparação.

O BC avalia que o desempenho tem sido impulsionado pela expansão moderada do crédito às famílias, pela geração de empregos e de renda. "A Formação Bruta de Capital Fixo, uma boa medida do investimento, cresceu 8,8% no primeiro trimestre, em relação ao primeiro trimestre de 2010, um desempenho robusto e que sugere que o empresariado nacional permanece confiante nas perspectivas para a economia brasileira neste e nos próximos anos", afirma o BC na nota.

Fonte: IG